O deputado Cézar Busatto (PPS), uma das almas, se não a alma do Pacto pelo Rio Grande, sugeriu que o governo Yeda Crusius deveria contemplar até o PT com alguma secretaria. Naturalmente que todos chiaram. Pelo lado do PFL, o deputado federal, Onyx Lorenzoni, e pelo PT o deputado Raul Pont. Curiosamente, ambos falaram em "desrespeito ao eleitor" para rechaçar a idéia. Busatto vem insistindo na tese de que, sem união, o Estado vai para o buraco mais fundo ainda que o atual. À primeira vista parece inviável a sugestão de Busatto, sem sentido. Afinal, há um consenso de que todas as oposições se comportam ao estilo de "hay gobierno, soy contra". Todas vírgula. Em alguns países, todo mundo pegou junto para sair do buraco. O Japão é um exemplo clássico - no início dos anos 50, houve um acordo entre sindicatos e empresários que durou mais de 30 anos. Por uma feliz coincidência, ontem o "Jornal Gente" da Rádio Band AM ouviu o ex-governador Antônio Britto e perguntou-se a ele o que achava da idéia do deputado do PPS, acrescendo-se a sina gaúcha da divisão, chimangos e maragatos, Grêmio e Inter etc. Aí, Britto fez um comentário extremamente lúcido: não deveríamos brigar em algumas áreas, citando o caso espanhol, quando Franco morreu e houve o Pacto de Moncloa. Os espanhóis, disse Britto, partiram de um princípio muito simples: não confundiram questões de Estado com questões de Governo. E saíram do buraco. Simples assim. O governo, administrativamente falando, pode e deve ter oposição. Mas o pepino do Estado gaúcho é tão grande que é preciso uma união à espanhola. Britto não disse, mas cá entre nós: vocês acham que num Estado como o nosso isso se cria? |